SHEMA ISRAEL
Sinagoga Morumbi
Yeshiva Boys Choir -- Kol Hamispalel
sábado, 24 de novembro de 2012
Respeito à Natureza Cada folha foi criada pelo Todo Poderoso com um propósito específico e está imbuída com uma força de vida Divina.
Rabi Aryeh Levin (o “tsadic de Jerusalém", 1885-1969), relatou como ele certa vez estava caminhando pelo campo com seu mentor, Rav Avraham Yitschak Kook. No decorrer de uma discussão de Torá, Rabi Levin apanhou uma flor. Vendo isso, Rav Kook disse:
“Toda a minha vida tenho sido cuidadoso para não arrancar uma folha de grama ou uma flor sem necessidade, quando ela tinha a capacidade de crescer ou florescer. Você conhece o ensinamento de nossos Sábios, de que nem uma só folha de grama cresce aqui na terra sem que haja um anjo acima dela, ordenando-lhe que cresça. Todo broto e folha diz algo importante, toda pedra sussurra alguma mensagem oculta no silêncio – toda criação entoa sua canção.”
“Essas palavras de nosso grande mestre,” concluiu Rabi Levin, “vindas de um coração puro e sagrado, ficaram profundamente gravadas em meu coração. Desde aquele dia, comecei a ter uma forte sensação de compaixão por todas as coisas.”
Uma história similar é relatada sobre o Rebe Rayatz e seu pai, o Rebe Rashab:
… Caminhando, entramos na floresta. Concentrado naquilo que eu tinha ouvido, empolgado pela gentileza e seriedade das palavras de meu pai, distraidamente arranquei uma folha de uma árvore próxima. Segurando-a em minhas mãos, continuei minha caminhada silenciosa, ocasionalmente rasgando pequenos pedaços da folha e atirando-os ao vento.
“O Santo Ari,” disse meu pai, “diz que não apenas toda folha da árvore é uma criação investida com vida Divina, criada com um propósito específico dentro da intenção de D'us na criação, mas também que dentro de toda e cada folha há a centelha de uma alma que desceu à terra para encontrar correção e plenitude.
“O Talmud”, continuou meu pai, “decreta que ‘um homem é sempre responsável pelas suas ações, esteja acordado ou dormindo.’ A diferença entre a vigília e o sono está nas faculdades interiores do homem, seu intelecto e emoções. As faculdades externas funcionam igualmente bem durante o sono, apenas as interiores estão confusas. Portanto, os sonhos nos apresentam verdades contraditórias. Um homem acordado vê o mundo real, um homem adormecido não. Esse é o significado profundo da vigília e do sono: quando alguém está acordado vê a Divindade; quando está adormecido, não vê.
“Apesar disso, nossos Sábios afirmam que o homem é sempre responsável pelas suas ações, esteja desperto ou adormecido. Somente nesse momento falamos sobre a Divina Providência e, sem pensar, você arrancou uma folha, brincou com ela em suas mãos, torcendo-a, apertando-a e rasgando-a em pedaços, e atirou-a em todas as direções.
“Como pode alguém ser tão rude com uma criação de D'us? Esta folha foi criada pelo Todo Poderoso com um propósito específico e está imbuída com uma força de vida Divina. Tem um corpo e tem uma vida. De que maneira o “Eu” dessa folha é inferior ao seu “Eu”?
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Avraham Era Judeu? Sobre a Identidade dos Hebreus Pré-sinai Por Yehuda Shurpin
A Nação Escolhida Começou com Avraham?
Avraham é largamente conhecido como o primeiro judeu1 – inclusive em alguns artigos de nosso site.2 Mas Avraham (e todos os ancestrais) viveram muito antes do Êxodo do Egito e da Outorga da Torá no Monte Sinai – os dois eventos que definiram a história judaica. Pode ele, então, ser realmente considerado um judeu? Em outras palavras, havia judeus antes de haver um “povo judeu”? Quando começou a nação judaica? E o que significa ser judeu?3
Para responder a essas perguntas, comecemos revisando a história da vida de Avraham como está registrada na Escritura, Midrash e comentários.
Quem foi Avraham?
Ele nasceu no ano 1948 da Criação (1813 AEC4), durante o reinado do poderoso Nimrod, que comandava quase toda a civilização.5 O pai de Avraham Terach, era um dos nobres de Nimrod. Avraham cresceu numa sociedade onde todos, incluindo o próprio Avraham, adoravam ídolos.6
Quando tinha apenas três anos7, Avraham começou a questionar-se incessantemente sobre a natureza do mundo, suas origens e que poder estava por trás de tudo.8 Continuou sua busca durante a juventude, gradualmente distanciando-se das práticas idólatras de sua geração enquanto começava a formular um monoteísmo puro.9
Aos 2510 anos casou-se com sua sobrinha11 Yiska (também conhecida como Sarai, e mais tarde, Sarah). Nessa época Nimrod começou a construir a Torre de Babel. A construção da torre foi um empreendimento gigantesco, no qual participou a maior parte da humanidade, e durou muitos anos. O Midrash explica que no seu ponto mais alto, a torre era tão alta que demorava um ano para chegar até o topo. Naquele ponto, um tijolo era mais precioso aos olhos dos construtores que um ser humano; se um homem caísse e encontrasse a morte, ninguém dava atenção, mas se caísse um tijolo, eles choravam, porque demoraria um ano para recolocá-lo.12
Avraham, que segundo dizem alguns, participou da construção da torre em seu estágios iniciais,13 foi veemente contra o projeto. Ele sempre admoestava aqueles envolvidos.14
Eis aqui como o Midrash nos relata a próxima parte da história: quando Avraham tinha 48 anos, no ano 1996 (1765 AEC), D'us contemplou a grande torre que estava sendo construída, e voltando-se para os setenta anjos que cercavam Seu trono (obviamente, em termos metafóricos). Ele disse: “Eles são um povo, e todos têm um idioma… vamos descer, e ali confundir a linguagem deles, para que se tornem setenta nações com setenta idiomas.”15
O Midrash então relata como D'us e os setenta anjos tiraram a sorte para ver qual anjo seria encarregado de qual linguagem e nação. Quando a sorte para D'us caiu em Avraham, Ele proclamou: “Tirei as porções em locais agradáveis; até a sorte Me favorece.”16
Este é o primeiro exemplo na vida de Avraham em que ele é descrito como sendo “escolhido” por D'us (e segundo algumas opiniões foi neste ano que o pacto entre D'us e Avraham ocorreu).17
Mais tarde,18 lemos sobre o retorno de Avraham para a casa de seu pai, como ele destruiu os ídolos do pai, e foi preso por heresia. Apegando-se firmemente à sua fé mesmo ao enfrentar a morte, ele é jogado numa fornalha ardente, mas D'us faz um milagre e ele sobrevive.
Até este ponto tudo está registrado em fontes talmúdicas e midráshicas. Somente agora finalmente encontramos Avraham em Lech Lecha, quando D'us lhe ordena: “Sai da tua terra e do teu local de nascimento e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei.”19
Após muitas dificuldades e tribulacões que estão relatadas na Bíblia, D'us faz um pacto com Avraham e proclama: “Para tua semente Eu dei esta terra, do rio do Egito até o grande rio, o Eufrates…”20
Quando Avraham tem 99 anos, D'us lhe ordena fazer a circuncisão em si próprio e seus descendentes, dizendo: “E manterás Meu pacto, tu e tua semente no decorrer das gerações. Este é o Meu pacto, que cumprirás entre Eu e tu, e entre tua semente depois de ti, que todo homem entre vós será circuncidado. E deverás circuncisar a carne de teu prepúcio, e será como o sinal de um pacto entre Eu e ti…21”
De todo o acima, vemos claramente que:
a – Avraham foi escolhido por D'us.
b – D'us fez um pacto entre Si próprio e Avraham.
Além disso, segundo nossos Sábios, os antepassados não apenas aprenderam a Torá, mas guardaram seus mandamentos embora ainda não tivessem sido “dados”.22 Isso parece estar implicado no versículo: “Porque Avraham ouviu Minha voz, e cumpriu Minha ordem, Meus mandamentos, Meus estatutos, e Minhas instruções.23”
Para voltar à questão original, tudo isso parece mostrar a clara e inequívoca resposta que, de fato, Avraham foi escolhido por D'us, assim como toda a nação judaica foi escolhida no Monte Sinai, fazendo dele o primeiro judeu.
Mas esta conclusão é prematura. No Sinai os judeus foram escolhidos por D'us, mas eles também assumiram a obrigação de cumprir os 613 mandamentos da Torá. Os não-judeus são obrigados a cumprir apenas as sete Leis Noahidas. Se Avraham era de fato judeu, ele precisaria fazer mais que cumprir todos os mandamentos da Torá. Ele teria de ser obrigado a cumpri-los. E parece que não era este o caso.
Obrigação
Voltando aos detalhes, há opiniões diferentes sobre o status de Avraham sobre o cumprimento da mitsvá:24
Alguns explicam que, como poderia parecer lógico, que embora Avraham inicialmente tivesse o status haláchico de um não-judeu Noahida, depois que ele entrou no pacto com D'us e recebeu o mandamento da circuncisão, ele foi considerado um judeu pleno.25
No entanto, a maioria discorda. Embora seja verdade que nossos antepassados não somente aprenderam a Torá, mas cumpriram suas leis embora não tivessem sido dadas, eles jamais foram ordenados a fazê-lo. Seu cumprimento desses mandamentos foi um sinal pessoal e voluntário de sua devoção a D'us. Eles não foram obrigados na maneira que seus descendentes seriam após o Sinai.26
Da mesma forma, quando nos referimos a Avraham como o primeiro judeu ou convertido,27 isso não significa que ele era realmente judeu no sentido que conhecemos hoje – no sentido de uma obrigação. Em vez disso, ele tinha o status técnico de um Noahida, assim como qualquer outra pessoa da época (embora fosse alguém que tinha recebido mandamentos adicionais únicos como a circuncisão, à qual de fato foi obrigado28)29 Não foi senão até que seus descendentes fossem ao Monte Sinai e D'us proclamasse: “Vós sereis para Mim um tesouro entre todos os povos e sereis para Mim um reino de príncipes e uma nação sagrada,30” que nos tornamos o povo judeu.
Há uma aplicação prática na distinção entre cumprimento voluntário e obrigatório dos mandamentos da Torá: Como dissemos, um Noahida é obrigado a cumprir as Sete Leis Noahidas, mas não as 613 leis da Torá. Se houvesse algum conflito entre manter as futuras Leis da Torá e as Leis Noahidas, a obrigação de manter as Leis Noahidas iria superar as Leis da Torá que eles não eram obrigados a cumprir.
Mas tudo isso agora nos deixa com uma forte dúvida: O que há de tão especial sobre o pacto no Sinai que somente então nos tornamos o povo judeu, algo negado até mesmo a Avraham? O próprio Avraham não foi escolhido por D'us? Ele próprio não aprendeu a Torá, guardou seus mandamentos, e fez um pacto com D'us? Então qual é a diferença?
Sobre Escolhas
Para ir direto ao ponto, temos de fazer outra pergunta fundamental – não sobre Judaísmo, mas sobre escolha. O que é escolher? E o que escolha significa?
Desde escolher que roupa vestir pela manhã até decidir o que teremos para o jantar, estamos constantemente engajados em fazer opções. A maioria dessas escolhas é feita após pesarmos os fatores e qualidades associados àquilo que está sendo escolhido. Escolhemos nossa roupa baseados na imagem que queremos projetar, nossa auto-identidade, ou talvez pelas exigências do emprego. Escolhemos nosso jantar com base na saúde ou no sabor. Nenhuma dessas escolhas realmente é aquilo que chamamos de opção livre. Na verdade, seria mais acurado chamá-la de escolha compulsória, pois em última análise, o motivo pelo qual você escolheu é porque há alguma coisa naquilo que fez você querer ou precisar daquilo.
É apenas quando temos à frente dois objetos aparentemente idênticos, e mesmo assim escolhemos um em detrimento do outro, que podemos dizer que realmente escolhemos.
Agora voltemos a Avraham
Já aos três anos de idade Avraham começou a longa busca pelo único D'us verdadeiro.31 Depois que ele O reconheceu, devotou o resto de sua vida a espalhar a verdade num mundo totalmente pagão. A tarefa solitária de Avraham o chamava a usar todas as suas energias, indo além do ponto do auto-sacrifício. Apesar disso, ele nunca fugiu a isso, e sempre perseverou.
Sob essa luz, não admira que D'us prometa a Avraham que “… Eu estabelecerei Meu pacto entre Eu e você, e entre sua semente depois de você no decorrer das suas gerações como um pacto eterno, para ser um D'us para você e sua semente depois de você…”32
Não foi senão até a Outorga da Torá no Monte Sinai que D'us realmente escolheu a nação judaica. Ele os escolheu não por causa de qualidades superiores que eles tivessem. Pelo contrário, A Outorga da Torá no Monte Sinai celebra D'us escolhendo os judeus para serem “um reino de príncipes e uma nação sagrada,”33 apesar de sua aparente semelhança com as outras nações do mundo.
Em outras palavras, antes do Sinai, D'us escolhendo Avraham e seus descendentes foi baseado naquilo que pode ser chamado de “uma escolha arrazoada”. No Monte Sinai foi uma escolha “real”, supra-racional.3435
Vínculo Inquebrantável
A Mishná declara: “Qualquer amor que depende uma uma consideração especifica – quando aquela consideração desaparece, o amor cessa; se não depender de uma consideração específica – nunca cessará.”36
Não fomos escolhidos para nos tornarmos “uma luz entre as nações” devido a quaisquer qualidades únicas. Pelo contrário, o Judaísmo é baseado na escolha de D'us por nós apesar de nossa não-singularidade. Mas é exatamente este tipo de escolha que torna nossa missão única neste mundo a mais humilde e inspiradora.
NOTAS
1. Veja Talmud Chagiga 3a onde ele é chamado de o primeiro convertido.
2. Faça uma busca em nosso site: Avraham.
3. Obviamente quando usamos a palavra “judeu”, é no sentido mais amplo usado hoje, mas tecnicamente o termo “judeu” não aparece senão mais tarde na era bíblica.
4. O ano secular é calculado com base no ano atual de 5772-5773 sendo o equivalente a 2012-2013.
5. Pirkei d’Rabi Eliazar 11.
6. Veja Maimônides, Leis da Idolatria 1:3
7. Talmud Nedarim 32 a
8. Maimônides ibid.
9. Veja comentários sobre Maimônides inid, sobre os diferentes estágios deste desenvolvimento filosófico.
10. Tana D'usVei Eliyahu Rabah 18; Yalkut Shemoni 78. Há opiniões diferentes sobre qual ano certos eventos ocorreram na vida de Avraham. Para simplificar, e devido ao fato de que não afeta este artigo, escolhemos seguir o tempo como é dado no Seder Hadorot.
11. Talmud Sanhedrin 69 b.
12. Pirkei de Rabi Eliezar ibid.
13. Veja Rabi Avraham ibn Ezra sobre Gênesis 11:1
14. Pirkei D'usRabi Eliazar ibid.
15. Gênesis 11:6-7
16. Salmos 16:6
17. Midrash Tanchuma citado em Seder Hadorot
18. Segundo o Seder Hadorot Avraham tinha cinquenta anos na época.
19. Gênesis 12:1
20. Gênesis 15:18
21. Gênesis 17:9-11
22. Talmud Yoma 28 b, Midrash genesis Rabah 95:3
23. Gênesis 26:5
24. Para uma discussão mais aprofundada sobre o status haláchico de nossos ancestrais veja Prishat Derachim, Derech Hasarim 1, e Beit Haotzar, seção 1.
25. Rabi Moshê ben Nachman - Nachmânides Levíticus 24:10
26. Veja Likutei Sichot vol. 5 pág. 145
27. Veja Talmud Chagiga 3a
28. Veja Rabi Elchanan Waserman, Kovetz Shiurim sobre Talmud Bava Batra ois 54, onde ele explica que a respeito desses mandamentos únicos, Avraham e seus descendentes tinham o status haláchicos de judeus.
29. Veja Rabi Shlomo Yitschaki (Rashi) sobre Talmud Sanhedrin 59a-b, 82 a; Tosfot Bava Batra 58 a 141 a; os “sábios franceses” citados por Rabi Moshê ben Nachman, Levítico 24:10; veja também Likutei Sichot ibid.
30. Exodus 19:5-6
31. Talmud Nedarim 32 a.
32. Gênesis 17:7
33. Exodus 19:6
34. Palestra do Rebe no 2º dia de Shavuot, 5739 (1979) impressa em Sichot Kodesh 5739 vol. 3
35. Embora seja mencionada como uma escolha “supra-racional”, isso não significa que houve alguma questão de uma alternativa sendo escolhida. Para mais sobre isso veja Sobre a Essência da Escolha.
36. Ética dos Pais 5:16
Por Yehuda Shurpin
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Sharon e o Rebe Mais que um bom exemplo
Ariel Sharon foi um dos generais de maior sucesso que o exército Israelense já conheceu. Sua lista de conquistas militares é impressionante e somente a menção do seu nome já trazia medo aos corações de milhões de inimigos que circundavam Israel.
Em 1968, depois de uma ação fulminante na Guerra dos Seis Dias, ele foi escolhido pela Federação Judaica para representar Israel nos Estados Unidos onde ele passou a ter uma amizade próxima com um Chassid Chabad conhecido, Rabino Yitshak Ganzberg.
O Rabino Ganzberg o visitava várias vezes e, numa delas, sugeriu uma audiência particular com o Rebe de Lubavitch, de abençoada memória.
Sharon concordou com o encontro e comentou depois, “Pensei que seria um encontro cordial com um Rabino idoso isolado do mundo. Imaginei que duraria no máximo 5 minutos. Afinal de contas, o que tínhamos em comum? Mas tive uma grande surpresa.
“O Rebe começou falando sobre a segurança de Israel. No começo eu estava cético, mas quando ouvi com atenção, percebi que ele conhecia bem o assunto, mesmo questões secretas. Foi como se estivesse falando com um colega.
Por exemplo o Rebe estava zangado que oito de nossos soldados tivessem morrido quando tomamos a cidade de Kalkilia (perto de Kfar Saba) na Guerra dos Seis Dias.
“Quando lhe expliquei que havia sido necessário cruzar um certo vale para atacar a cidade e que o inimigo havia nos surpreendido com uma emboscada, ele replicou, ‘É isso o que eu quero dizer, por que você tinha que cruzar o vale? Você podia pegar a cidade por outra direção!’
“Então ele desenhou com o dedo uma linha exata do perímetro da cidade e por onde o ataque deveria ter ocorrido, como se mapas militares estivessem na sua frente. E sabe qual é a verdade...? O Rebe estava certo! Não somente sobre Kalkilia mas sobre tudo o que falou! Não posso expressar o quanto fiquei impressionado. O que eu menos podia esperar era um gênio militar!!”
Sharon falou que num certo momento ele olhou o relógio e viu que mais de 30 minutos já haviam se passado – como se fossem dois minutos.
“Por que o senhor está olhando o relógio?” perguntou o Rebe.
“Tenho um avião para pegar de volta a Israel, e temo perdê-lo” falou o general.
“Terá um outro avião” falou o Rebe. “Fique comigo mais um pouco e pegue outro avião para casa.”
Sharon era um militar! Não era de sua natureza se atrasar ou mudar de planos. Mas agora ele estava hipnotizado. Ele estava tão impressionado com a sabedoria aparentemente infalível do Rebe que simplesmente não conseguia se mexer, e ficou assim por mais de duas horas!
Pouco antes da aurora ele saiu do escritório do Rebe, que falou com os Chassidim por um longo tempo, remarcou seu vôo, e viajou para Israel no dia seguinte. Alguns dias depois ele descobriu que havia acontecido um milagre:
O voo que ele deveria ter viajado havia sido sequestrado.
Poucas horas depois da decolagem, quatro dos passageiros se levantaram com armas e mandaram todos levantarem as mãos. Mandaram o piloto voar para a Algéria onde separaram os homens judeus de todos os outros e conduziram uma busca completa por uma ‘personalidade importante’.
Eram terroristas árabes que queriam sequestrar Sharon. Eles haviam planejado bem, mas não tinham contado com a habilidade do Rebe de Lubavitch em segurar uma grande audiência. Não encontraram Sharon no voo e todos os prisioneiros acabaram voltando salvos para Israel.
[A propósito, quando posteriormente Sharon informou ao Rebe sua decisão de entrar na política, o Rebe respondeu que na sua opinião seu lugar era no exército israelense, pois lá Hashem o tinha colocado e o abençoaria com sucesso. “Não há sentido certamente para o senhor entrar na política, incluindo posições como Ministro da Defesa ou algo parecido. Esse não é o seu trabalho e não usará seus talentos e expertise, pelo contrário!”]
É isso o que a Torá está tentando nos dizer com “Avraham era ancião”, entrado em anos, na parashá Chayê Sarah. Geralmente o efeito que temos nos outros é somente de ser um bom exemplo. Quando trabalhamos para nos aperfeiçoar, colocamos boas ‘vibrações’ que podem afetar o mundo inteiro. Assim como na nossa história. O próprio fato do Rebe ter alcançado essa perfeição pessoal foi suficiente para fazer o General Sharon mudar seus planos.
É verdade, também devemos “entrar nos anos”, e ir para as ruas – se necessário, para atrair e chamar judeus de volta ao judaísmo. Mas não podemos subestimar a impressão que podemos causar nas pessoas “incidentalmente”, sem saber.
Assim como o Rebe algumas vezes enfatizou que a simples visão de um judeu vestindo tsitsit ou colocando tefilin pode causar um efeito positivo e mudar a vida de outro judeu.
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Rabi Shalom Dovber Schneersohn - O "Rebe Rashab" 20 de cheshvan, 5621 (1860) - 2 de Nissan, 5680 (1920)
Introdução
Um ano antes do nascimento de Rabi Shalom DovBer, conhecido como o Rebe Rashab, sua mãe, a Rebetsin Rivca, teve um sonho, que se repetiu, onde viu o primeiro e o segundo Rebe abençoando-a com um filho e pedindo que um Sêfer Torá fosse escrito antes de seu nascimento.
O Rebe Rashab (1860-1920), foi o quinto Rebe de Chabad-Lubavitch. Era o filho do meio do Rebe Maharash. Assumiu a liderança aos 22 anos, depois do falecimento de seu pai, em 13 de Tishrei, 5643 (1882).
Nos dez anos que seguiram o falecimento do pai, o Rebe Rashab não aceitou oficialmente o manto de liderança. Apesar de ter proferido maamarim (profundos discursos chassídicos), nem sempre aceitava pessoas para yechidut (audiência particular) e não rezava no lugar de seu pai. Em Rosh Hashaná de 5654 (1893), ocupou o lugar de seu pai pela primeira vez. Acredita-se que assim o fez por respeito ao seu irmão mais velho, Reb Zalman Aharon. Antes de Rosh Hashaná daquele ano, Reb Zalman Aharon mudou-se para outra cidade.
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Alma gêmea Ferramentas para encontrar a sua Por Simon Jacobson Pergunta:
Umas das coisas que me espantam é o assunto de encontrar a alma gêmea procurando não apenas pela compatibilidade física, intelectual e emocional, mas mais importante, a compatibilidade espiritual. O que eu gostaria de perguntar, e creio que pessoas interessadas em encontrar o amor eterno também, é: o senhor poderia esboçar alguns critérios que pudesse ajudar alguém a encontrar sua verdadeira alma gêmea?
Resposta:
Respondendo ao seu relevante pedido, delinearei várias perguntas que a pessoa poderia fazer-se quando em busca de uma alma gêmea transcendente:
1 - Minha alma gêmea em potencial pode e me ajudará a chegar a um local melhor que aquele que eu conseguiria por mim mesmo?
2 - Ele ou ela me desafia, ou apenas me agrada e traz-me conforto e companheirismo?
3 - É um parceiro que ajuda-me a cristalizar e tornar real minha visão da vida, ou apenas concorda comigo? É um verdadeiro parceiro em meus sonhos, não apenas uma companhia?
4 - Meu parceiro alimenta e nutre minha alma? Sinto magia com esta pessoa? Podemos nós criar magia de modo consistente?
5 - Sinto-me comprometido de qualquer maneira neste relacionamento?
6 - Estou atingindo todo meu potencial neste relacionamento?
7 - Respeito e admiro os sonhos e visões de meu parceiro?
8 - Meu parceiro apenas apoia meus esforços, ou está comprometido tanto quanto eu ao elemento transcendente?
9 - Sinto que meu relacionamento será regular, ou estou entusiasmado sobre o potencial e significância de nosso relacionamento?
10 - Meu relacionamento ajudará outras pessoas a crescer, ou é apenas um relacionamento confortável entre meu parceiro e eu?
11 - Amo o amor de meu parceiro por mim ou na verdade amo a própria pessoa?
12 - Há uma quantidade saudável de ansiedade no relacionamento, impulsionando-o de modo consistente para um nível mais elevado, ou está estagnado e complacente, talvez de forma confortável, mas mesmo assim um platô?
13 - Uma crise no relacionamento é aplacada e pacificada, onde um parceiro agrade o outro, ou é enfrentada por dois parceiros em pé de igualdade?
Desnecessário dizer, há muitas outras questões que devem ser respondidas quando estiver procurando sua alma gêmea. Enfatizei aqui alguns dos requisitos necessários para conquistar um relacionamento transcendente. É sempre melhor ter um amigo em que se confie, ou um mentor que possa ajudá-lo objetivamente a avaliar seu relacionamento de forma específica.
Sei também que as exigências que relacionei podem ser excelentes, mas estas são as aspirações que eu estaria procurando em um relacionamento transcendente dinâmico. Devemos sempre almejar o mais elevado.
Obviamente, estes critérios também dependem do fato que a pessoa está verdadeiramente comprometida com este nível de significância e transcendente na vida de alguém.
E finalmente, devemos sempre lembrar que a chave para um relacionamento verdadeiramente transcendente é dar as boas vindas ao terceiro parceiro, D'us. Nossos esforços criam um recipiente que canaliza a bênção de D'us em nossa vida, o que nos ajuda a descobrir e manter o relacionamento definitivo.
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Por Simon Jacobson
Rabino Simon Jacobson é autor do campeão de vendas Rumo a Uma Vida Significativa: A Sabedoria do Rebe (William Morrow, 1995), e fundador e diretor do Meaningful Life Center.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Ciência e Torá: Contraditórias? Por Nissan Dovid Dubov
Segundo a Torá, o mundo tem uns meros cinco mil e quinhentos anos de idade, e foi criado em seis dias. Certamente a ciência moderna prova que o mundo tem bilhões de anos e que o homem passou por um processo de evolução, dessa maneira arquivando a história bíblica de Bereshit? Pode-se seguir honestamente crenças religiosas antiquadas quando a ciência prova outra coisa?
A definição de ciência e religião
A ciência, numa definição ampla, significa conhecimento. Referimo-nos especificamente à ciência como o conhecimento certificado por meio de observação e experimentos, criticamente testado, sistematizado e classificado segundo princípios gerais. Para ser mais específico, deve-se distinguir entre a ciência empírica e experimental que lida e está confinada a descrever e classificar fenômenos passíveis de observação, e a ciência especulativa que trata dos fenômenos desconhecidos, às vezes fenômenos que não podem ser duplicados em laboratório. O termo "especulação científica" é na verdade uma incongruência, pois nenhuma especulação pode ser chamada de conhecimento no estrito sentido da palavra. Quando muito, a especulação científica pode apenas descrever teorias deduzidas de certos fatos conhecidos e aplicados ao âmbito do desconhecido.
Religião significa uma crença em alguma coisa. Em termos de religião judaica, é a crença na natureza Divina da Torá – Torah min Hashamayim; que a Torá recebida por Moshê e dada ao povo judeu é de origem Divina e é a palavra de D’us. Assim sendo, a Torá é a sabedoria Divina, e como D’us é verdade, também Sua Torá o é. A Torá é chamada com freqüência de Torat Emet, que significa a Torá da verdade.
A partir dessas duas definições vemos que a ciência formula e lida com teorias e hipóteses, ao passo que a Torá lida com verdades absolutas. Estas são duas disciplinas diferentes e uma "conciliação" é absolutamente impossível. A Torá está no âmbito da verdade do absoluto. Aquilo que a Torá diz é verdadeiro não porque foi provado cientificamente, ao contrário, é verdadeiro porque foi revelado por D’us. A ciência não lida com absolutos, e sim com fenômenos observáveis e produz princípios baseados em suas observações.
A ciência de ontem e a ciência do amanhã
No século dezenove a opinião prevalecente entre os cientistas e modernistas era que o raciocínio humano era infalível em deduções "científicas" e que ciências como Física, Química, Matemática, etc., eram a verdade absoluta, ou seja, não meramente verdades aceitas, mas a absoluta. Falando em termos judaicos, isso queria dizer o estabelecimento de uma nova idolatria, não de madeira e pedra, mas a veneração das ciências e filosofias contemporâneas.
Na verdade, tendo em vista as opiniões dogmáticas e deterministas da ciência daquela época, foi criada toda uma literatura apologética por bem intencionados advogados religiosos e alguns rabinos que não viram outra maneira de preservar o legado da Torá em suas comunidades "esclarecidas", exceto reinterpretações tênues e deturpadas de determinadas passagens da Torá a fim de acomodá-las com a opinião prevalecente no mundo. Sem dúvida eles sabiam interiormente que estavam sugerindo interpretações da Torá que diferiam da Torat Emet, mas pelo menos eles acharam que não tinham outra alternativa.
No século 20, porém, especialmente nas últimas décadas, a ciência finalmente se despiu das suas embalagens medievais e todo o complexo da ciência mudou. A presumida imutabilidade das chamadas leis científicas e o conceito de absolutismo na ciência em geral foram revogados e agora considera-se a opinião contrária, conhecida como "Princípio do Indeterminismo". Nada mais é certo na ciência, mas somente relativo ou provável, e os achados científicos são agora apresentados com considerável reserva e validade temporária, passível de ser substituída a qualquer tempo por uma teoria mais avançada.
A maioria dos cientistas aceitou este princípio de incerteza – enunciado por Werner Heisenberg em 1927 – como sendo intrínseco a todo o universo. A atitude dogmática, mecânica e determinista do século 20 acabou. O cientista moderno não espera mais encontrar a verdade na ciência. A opinião atual e universalmente aceita é que a ciência deve se reconciliar com a idéia de que, qualquer que seja o progresso que ela faz, sempre estará lidando com probabilidades, não com certezas ou absolutos.
Vejamos dois exemplos da metamorfose da descoberta científica. Há um versículo em Cohêlet 1:4, "A terra fica para sempre", que parece sugerir que a terra fica parada e o sol se move ao redor dela. Esta apresentação era inteiramente aceitável no princípio da era comum, especialmente quando, no segundo século, Ptolomeu aperfeiçoou a construção de Aristóteles sobre como o sol e os planetas se moviam ao redor da terra em órbitas circulares com rotação adicional ao redor de certos pontos nestas órbitas.
Aquela opinião foi adotada por todos os cientistas e especialmente entre o clero religioso, que considerava a terra como o centro do universo. Cerca de 1.500 anos depois, Nicolau Copérnico fez uma revolução na astronomia, dizendo que a terra girava ao redor do sol. De repente esta nova descoberta científica jogou por terra toda a crença religiosa. Até hoje, na maioria das escolas, as crianças aprendem que a terra gira ao redor do sol e que este é um fato provado pela ciência. Sugerir de outra forma seria considerado não-científico.
No entanto esta educação é preconceituosa, pois a teoria da relatividade de Einstein eliminou a idéia do espaço absoluto e do movimento absoluto. Segundo Einstein, a ciência em princípio não pode decidir se a terra fica parada e o sol gira ao redor dela, ou vice versa. No livro A Filosofia do Tempo, por Hans Reichenbach, um discípulo de Einstein, ele demonstra que todos os seguintes conceitos são claramente possíveis sob um ponto de vista científico:
1 – A terra fica parada e o sol gira ao seu redor.
2 – O sol fica parado e a terra gira ao redor dele.
3 – Ambos giram ao redor de um determinado ponto. Não há maneira de provar qual das alternativas acima é correta ou preferível.
Para objetivos práticos é mais simples calcular eventos astronômicos se presumirmos que o sol está parado e a terra se move ao redor dele. O principal motivo de Copérnico era tornar mais fáceis os cálculos, mas esta não é uma razão suficientemente boa para atribuir "verdade" a este conceito. Desconsiderar o versículo bíblico que sugere que a terra fica parada é totalmente não-científico.
O problema com o debate ciência versus religião é o que foi mencionado previamente – que a maioria das pessoas aceitava a descoberta científica como absoluta, o que impossibilitava e excluía a crença religiosa. Mesmo atualmente, anos depois da publicação da Teoria da relatividade, embora os cientistas aceitem a teoria em suas capacidades profissionais, eles a ignoram no contexto do debate filosófico, preferindo apoiar antigas idéias de absolutismo. Eles continuam a ser governados por pré-concepções ideológicas, cegamente opostas à Torá, que foram absorvidas em sua consciência desde a infância, mesmo quando estas pré-concepções contradizem o conhecimento profissional.
Outro bom exemplo de uma teoria sempre em mutação é aquela da luz. Os antigos gregos desenvolveram uma teoria "corpuscular" da luz, i.e., que a luz é um fluxo de minúsculas partículas emanando de uma fonte e se movendo linearmente em todas as direções. A teoria da óptica geométrica foi desenvolvida com base nesta presunção. Esta teoria serviu com sucesso a humanidade durante séculos, para desenhar e construir lentes, prismas, espelhos planos e curvos, auxiliares para a visão, e mais tarde os microscópios, telescópios e outros sistemas ópticos. Descobriu-se então que a luz também segue um movimento ondulado e portanto isso foi reinterpretado como ondas eletro-magnéticas com um comprimento de onda muito curto. Cientificamente, a teoria corpuscular desenvolveu-se numa teoria de ondas. No início do século 20, Albert Einstein sugeriu que, na verdade, a luz possui uma natureza dual, i.e., a unificação, em uma entidade, de dois conceitos opostos de uma partícula de matéria e de um movimento de onda. Esta nova idéia tornou-se a base da fundamental teoria da mecânica quântica.
É interessante notar que a Cabalá usa a luz como metáfora para o poder de D’us. Fala em termos de Or Ein Sof – a luz Infinita. Um dos princípios da fé é que D’us é onipotente e pode encerrar opostos. O fato de a luz possuir uma natureza dual e poder carregar um oposto a transforma na perfeita metáfora para a Divina energia. Neste terceiro estágio do desenvolvimento da teoria da luz, fica claro que esta unificação de dois conceitos sublinha a unidade de D’us dentro da Criação. (veja O Rebe de Lubavitch sobre Ciência e Tecnologia", pelo Professor Herman Branover em B’Or Ha’Torah, vol. 9).
A idade do universo
Um problema que incomoda a muitos é esta contradição aparentemente irreconciliável: a ciência alegando que o mundo teria bilhões de anos e a opinião da Torá de que o mundo tem 5765 anos de idade (na data deste artigo).
Além disso, esta contradição tem levado alguns cientistas religiosos bem-intencionados a re-interpretar as passagens de Bereshit dizendo que os dias da Criação referem-se a períodos ou eras, e não a dias comuns. Eles sugerem que como o sol, a lua e as estrelas apenas estiveram "pendurados no céu" no quarto dia da Criação, portanto o dia de 24 horas não poderia ter existido até pelo menos o quarto dia. Além disso, alegam eles, se alguém atribuísse vastos períodos de tempo a cada um dos dias da Criação, todas as teorias da evolução e o Big Bang poderiam se encaixar muito bem com a Torá.
No entanto, esta interpretação entra em conflito com o mandamento do Shabat – uma mitsvá considerada por nossos Sábios como equivalente à toda a Torá. Pois, se alguém pegar as palavras "um dia" fora do contexto e significado puro, na verdade anula toda a idéia do Shabat como o sétimo dia declarada no mesmo contexto. A idéia da observância do Shabat está baseada na declaração clara e inequívoca da Torá: "Pois em seis dias D’us fez o céu e a terra, e no sétimo dia Ele cessou o trabalho e descansou." – dias, não períodos.
Como foi mencionado previamente, estas tentativas de re-interpretar a Torá são, obviamente, o legado anacrônico do século 19. Hoje em dia não existe justificativa para perpetuar este "complexo de inferioridade". Certamente não há bases para se apegar a opiniões que foram eliminadas dos livros escolares sobre ciência.
É lamentável pensar que aqueles que deveriam ser os campeões da opinião da Torá e seus advogados, especialmente entre a juventude judaica em geral e a juventude acadêmica em particular, são tímidos ou até envergonhados para postulá-la.
O exposto acima não tem a intenção de diminuir a ciência ou o método científico, ao contrário, deve haver uma diferenciação entre a ciência efêmera e as teorias extraídas da especulação científica. Isto contrasta com a Torá, que é eterna e imutável. Quando a Torá é modificada ou alterada por motivo de concessão, seja a qualquer extensão, deixa de ser verdade. E a verdade permanece a mesma para todas as pessoas e para todos os tempos. Se alguém aceita a eternidade da Torá, e isso pode apenas ser com base de Torah min Hashmayim, então seria absurdo dizer que, embora a Torá tenha sido dada por D’us, os tempos mudaram, como se o Criador e Governador do universo não pudesse ter previsto que haveria um século 21 quando determinados grupos de pessoas, como os cientistas ou "modernistas", estariam inclinados a aceitarem apenas uma Torá comprometida, não a Torá da verdade.
Vamos examinar mais de perto os métodos empregados pelos cientistas para descobrirem a idade do universo. A ciência tem dois métodos gerais de dedução:
1 – O método da interpolação (para distinguir da extrapolação), por meio do qual, conhecendo a reação sob dois extremos, tentamos deduzir qual poderia ser a reação a qualquer ponto entre os dois.
2 – O método da extrapolação, por meio do qual são feitas deduções além do alcance conhecido, com base em certas variáveis dentro do alcance conhecido. Por exemplo, suponhamos que conhecemos as variáveis de um determinado elemento dentro de uma variação de temperatura de 0 a 100 e, baseados nisso, estimamos como seria a reação a 101, 200 ou 2.000.
Dos dois métodos, o segundo é claramente o mais incerto. Além disso, a incerteza aumenta com a distância do alcance conhecido e com o decréscimo desse alcance. Assim, se o alcance conhecido está entre 0 e 100, nossa dedução a 101 tem uma probabilidade maior que a 1001.
Vemos logo que todas a especulação sobre a origem e idade do mundo vem dentro do segundo método, mais fraco. A fraqueza se torna mais aparente se tivermos em mente que uma generalização inferida a partir de um antecedente conhecido para um antecedente desconhecido é mais especulativa que uma inferência de um antecedente para um conseqüente, como pode ser demonstrado de maneira muito simples.
Quatro dividido por dois é igual a dois. Aqui o antecedente é representado pelo dividendo e pelo divisor, e o conseqüente pelo quociente. Conhecer o antecedente neste caso nos dá um resultado possível – o quociente – número dois.
No entanto, se pudéssemos saber o resultado final, ou seja, o número dois, a resposta permite diversas possibilidades, às quais se chega por métodos diferentes: 1 + 1 = 2, 4 – 2 = 2, 1 x 2 = 2, 4 : 2 = 2. Note que se outros números entrarem na conta, o número de possibilidades nos dando o mesmo resultado é infinito (pois 5 – 3 = 2, 6 – 4 = 2, etc., ad infinitum.)
Acrescente a esta outra dificuldade que prevalece em todos os métodos de dedução. As conclusões baseadas em certos dados conhecidos, quando estendidas para áreas desconhecidas, somente podem ter validade com a presunção de "tudo mais é igual", o que equivale a dizer, numa identidade de condições prevalecentes e sua ação e contra-ação uma sobre a outra. Se não pudermos ter certeza de que as variações ou mudanças teriam ao menos uma relação próxima em grau com as variáveis existentes, se não pudermos ter certeza de que as mudanças terão qualquer semelhança da mesma espécie, se, além disso, não pudermos ter certeza de que não houve outros fatores envolvidos – tais conclusões de inferências são completamente inválidas!
Para ilustrar melhor numa reação química, seja de fissão ou de fusão, a introdução de um novo catalisador no processo, mesmo que em quantidade ínfima, pode mudar todo a duração e forma do processo químico ou começar um processo inteiramente novo.
Ora, toda a estrutura da ciência é baseada em observações das reações e processos no comportamento de átomos em seu estado atual, como eles existem na natureza. Os cientistas lidam com aglomerações de bilhões de átomos quando estes já estão juntos, e como eles se relacionam com outras aglomerações de átomos já existentes. Os cientistas sabem muito pouco sobre os átomos em seu estado puro – como um único átomo pode reagir sobre outro único átomo num estado de separação – muito menos sobre como partes de um único átomo em quantidades mínimas; algumas delas elementos com potência catalisadora das quais pouco se conhece.
3 – A formação do mundo, se aceitarmos estas teorias, começou com um processo de coligação (união) de átomos separados, ou componentes do átomo, e sua conglomeração e consolidação, envolvendo processos e variáveis totalmente desconhecidos.
Em resumo, de todas as teorias "científicas" fracas, aquelas que tratam da origem do cosmos e sua data são, como é admitido pelos próprios cientistas, as mais fracas de todas.
Não admira que (e isso, por acaso, é uma das refutações óbvias destas teorias) as várias teorias "científicas" sobre a idade do universo não apenas se contradigam entre si mas, em alguns casos, sejam incompatíveis e mutuamente exclusivas, pois a data máxima de uma teoria é menor que a data mínima de outra.
Se alguém aceitar tal teoria sem criticá-la, isso pode apenas levá-lo a um raciocínio errôneo e inconseqüente. Considere, por exemplo, a assim chamada teoria evolucionária da origem do mundo, baseada na presunção de que o universo evoluiu a partir de partículas atômicas e sub-atômicas existentes que, através de um processo evolutivo, se combinaram para formar o universo físico e nosso planeta, no qual a vida orgânica de certa forma se desenvolveu, também por um processo evolutivo, até surgir o homo-sapiens. É difícil entender por que alguém deveria realmente aceitar a criação de partículas atômicas e sub-atômicas num estado – que é francamente incognoscível – e inconcebível – porém ficar relutante para aceitar a criação dos planetas, ou organismos, ou um ser humano como sabemos que existem.
O argumento da descoberta dos fósseis de maneira alguma é uma prova conclusiva da grande antiguidade da terra, pelas seguintes razões:
1 – Em vista das condições desconhecidas que existiram nos tempos "pré-históricos", como já mencionado – condições que poderiam ter causado reações e mudanças de natureza e tempo inteiramente diferentes daquilo que se conhece atualmente sobre os processos da natureza – não se pode excluir a possibilidade de que os dinossauros existiram há 5.000 anos e se fossilizaram sob formidáveis cataclismos naturais no decorrer de alguns poucos anos, em vez de em milhões de anos, pois não temos medidas ou critérios de cálculos concebíveis sob estas condições conhecidas.
2 – Mesmo supondo que o período de tempo que a Torá dá para a idade do mundo seja curto demais para a fossilização, pode-se aceitar prontamente a possibilidade de que D’us criou os fósseis, ossos ou esqueletos (por razões somente conhecidas por Ele), assim como ele pôde criar organismos vivos prontos, um homem completo, e outros produtos prontos como o petróleo, carvão ou diamantes, sem qualquer processo evolutivo.
Quanto à pergunta, se o último raciocínio é verdadeiro, para começar, porque D’us teve de criar os fósseis? A resposta é simples: não podemos saber o motivo pelo qual D’us escolheu esta maneira de criar em preferência à outra e, qualquer que seja a teoria da criação aceita, a questão ainda continuará não respondida. A pergunta "Por que criar um fóssil?" não é mais válida que a pergunta "Por que criar um átomo?" Certamente, este tipo de pergunta não pode servir como um argumento sólido, muito menos como base lógica para a teoria da evolução.
Que base científica existe para limitar o processo criativo somente a um processo evolucionário, começando com partículas atômicas e sub-atômicas – uma teoria repleta de lacunas inexplicadas e complicações – enquanto se exclui a possibilidade da criação segundo a narrativa bíblica? Pois, se esta possibilidade for admitida, tudo se encaixa certinho num padrão e toda a especulação sobre a origem e idade do mundo se torna desnecessária e irrelevante.
Certamente não se pode questionar esta possibilidade dizendo: Por que o Criador deveria criar um universo completo, quando teria sido suficiente para Ele criar um número adequado de átomos ou partículas sub-atômicas com poder de coligação e evolução para se desenvolverem na atual ordem cósmica? O absurdo deste argumento se torna ainda mais óbvio quando se transforma na base para uma teoria frágil como se estivesse baseada em argumentos sólidos e irrefutáveis, afastando todas as outras possibilidades.
Evolução
Antes de mais nada, precisamos declarar que a teoria da evolução não aparece na narrativa da Torá sobre a criação. Mesmo que esta teoria fosse substanciada e a mutação das espécies ficasse provada em testes de laboratório, mesmo assim isso não iria contradizer a possibilidade de o mundo ter sido criado conforme o relato da Torá, em vez de pelo processo evolutivo.
E ainda mais, como toda esta teoria é altamente especulativa e, embora durante os anos de pesquisa e investigação desde que a teoria foi primeiro apresentada, tenha sido possível observar certas espécies de animais e plantas com um curto período de vida no decorrer de milhares de gerações, mesmo assim jamais foi possível estabelecer uma transmutação de uma espécie para outra, muito menos transformar uma planta em animal. Tal teoria não pode ter lugar no arsenal da ciência empírica.
A teoria da evolução é um exemplo típico de como uma teoria altamente especulativa e fraca cientificamente capturou a imaginação das massas e tem permitido a elas desconsiderar a narrativa bíblica, apesar do fato de que a teoria não foi substanciada cientificamente e não tem qualquer verdadeira base científica. É quase como se os cépticos estivessem procurando uma razão para desacreditar. Seu axioma equivocado era que a Torá está errada e eles precisavam de alguma teoria em substituição. A evolução era perfeita. Fornecia uma teoria da criação sem D’us e estimulava a tendência ateísta. Na verdade, é altamente não-científica; a ciência pura deve estar baseada em dados efêmeros.
A natureza humana também afetou o debate. Embora as várias teorias tentando explicar a origem e idade do mundo sejam fracas, estão adiantadas porque é uma questão de natureza humana buscar uma explicação para tudo em seu ambiente e qualquer teoria, mesmo que absurda, é melhor que nenhuma, pelo menos até que uma explicação mais plausível possa ser engendrada.
Alguém poderia perguntar por que, na ausência de uma teoria mais sólida, a narrativa bíblica não é aceita pelos cientistas? A resposta novamente será encontrada na natureza humana. É uma ambição humana natural ser inventivo e original. Aceitar a narrativa bíblica priva a pessoa da oportunidade de mostrar engenhosidade analítica e indutiva. Portanto, desconsiderando a narrativa bíblica, os cientistas devem criar motivos para justificar isso, e se refugiam em classificá-la como mitologia primitiva e antiga, pois não pode ser discutida com base científica.
Convergir, não divergir
Com o passar do tempo, a ciência descobrirá realmente as verdades da Torá. Em vez de serem vistas como divergentes, a ciência e a religião estão convergindo. Há uma história sobre um grupo de cientistas que estava subindo a montanha da criação. Quando chegaram ao cume, encontraram um rabino sentado, estudando. Ele levantou os olhos do livro e disse aos perplexos cientistas: "Eu falei que era verdade!"
Este fato foi previsto pelo antigo texto cabalista, o Zôhar. Sobre o versículo em Bereshit 7:11: "No seiscentésimo ano da vida de Nôach… todas as fontes de grande profundidade se abriram e as janelas do céu foram abertas", o Zôhar comenta: No seiscentésimo ano do sexto milênio, os portões da sabedoria do alto serão abertos, assim como as fontes de sabedoria de baixo, e o mundo estará preparado para ser elevado no sétimo milênio.
O Zôhar predisse que no ano hebraico de 5600, que corresponde ao ano 1840 da EC, haverá grande desenvolvimento tanto na sabedoria do alto quanto na sabedoria de baixo. A sabedoria do alto refere-se ao conhecimento esotérico no qual revelações importantes foram feitas na disseminação da Filosofia Chassídica a partir daquele ano. É bem conhecido o fato de que o fundador do Movimento Chassídico, o Báal Shem Tov, certa vez, através de misteriosos meios cabalistas, entrou no palácio celestial de Mashiach e perguntou a ele: "Quando o Mestre virá?" Mashiach respondeu: "Quando os mananciais dos teus ensinamentos estiverem largamente difundidos." Os principais desenvolvimentos nos ensinamentos e disseminação do Chassidismo que ocorreram depois do ano 1840 são um verdadeiro cumprimento daquela indicação.
A sabedoria de baixo refere-se aos grandes avanços na ciência, que também começaram por volta daquela época. As grandes revoluções industriais, que ocorreram em meados do século 19, abriram caminho para os grandes avanços tecnológicos dos anos recentes.
A conexão entre estas duas sabedorias é que elas convergirão. Na Era Messiânica, está profetizado que (Yeshayáhu 40:5), "… a glória de D’us será revelada, e toda a carne verá junta que a boca do Eterno falou." Como uma preparação para a revelação messiânica, haverá uma explosão na descoberta científica, revelando a verdade da sabedoria esotérica da Torá.
De fato, as descobertas nas ciências naturais tem jogado uma nova luz sobre as maravilhas da criação e a tendência moderna tem sido rumo ao reconhecimento da unidade permeando a natureza. De fato, a cada avanço da ciência, a unidade subjacente no mundo físico tem se tornado mais claramente perceptível; a tal ponto, que a ciência está agora procurando a fórmula ideal que englobará todos os fenômenos do mundo físico em uma única equação abrangente.
Com um pouco mais de percepção, pode ser visto que a unidade na natureza é o reflexo do verdadeiro monoteísmo em seu conceito judaico. Pois, como os judeus concebem o monoteísmo, não é apenas a crença de que há um único D’us, mas que a unidade de D’us transcende também o mundo físico, de modo que há apenas uma única realidade, ou seja, D’us.
De fato, o princípio da unidade é a essência do Judaísmo – pois Avraham primeiro proclamou o monoteísmo num mundo de idolatria – que atingiu a plenitude na revelação no Monte Sinai. Pois o verdadeiro monoteísmo, como professado por nós, não é somente a verdade de que há apenas um único D’us e ninguém como Ele, mas que não há "nada além d’Ele" (Ein Od); ou seja, a negação da existência de qualquer realidade, exceto D’us, a negação do pluralismo e dualismo, até mesmo da separação entre o material e o espiritual.
Como foi notado previamente, quanto mais avançam as ciências físicas, mais a pessoa se aproxima do princípio de unidade, até mesmo no mundo material. Antes, era a opinião aceita que a pluralidade e o composto no mundo material seriam reduzidos a algumas centenas de elementos e entidades básicos, e as forças e leis físicas foram consideradas como sendo separadas e independentes, para não mencionar a dicotomia entre a matéria e a energia. No entanto, nos anos recentes, com o avanço da ciência, os elementos básicos foram reduzidos a diversos maus componentes elementares dos átomos – elétrons, prótons e nêutrons – e mesmo esses foram imediatamente qualificados como não sendo os supremos "blocos" de matéria, até que se descobriu que a matéria e a energia eram redutíveis e conversíveis uma na outra.
É bem conhecido que o Báal Shem Tov ensinou, e Rabi Shneur Zalman de Liadi explicou e ampliou, que cada detalhe na experiência humana é uma instrução no serviço do homem a D’us. Assim, aquilo que foi dito acima sobre o avanço da ciência exemplifica também o progresso do avanço humano no serviço de D’us. O homem possui dois elementos aparentemente contraditórios, não menos compatíveis que a incompatibilidade da matéria e espírito, cuja contrapartida no mundo físico é matéria e energia, ou seja, a alma Divina e a alma animalesca.
Ou, num nível inferior, o yetser tov (boa inclinação) e o yetser hará (má inclinação). Porém esta incompatibilidade é evidente apenas no estágio infantil de progresso no serviço Divino, comparado à pluralidade dos elementos e forças que se presumia existir na natureza física. Assim como a apreciação da unidade subjacente da natureza cresceu com o avanço da ciência, também a perfeição no serviço Divino leva à percepção da unidade essencial na natureza humana, a tal ponto que o yetser tov e o yetser hará se tornam um só, através da transformação do yetser hará em yetser tov, pois caso contrário, obviamente, não pode haver unidade e harmonia, pois tudo que é sagrado, positivo e criativo não pode viver em paz e ser subserviente àquilo que é profano, negativo e destrutivo.
E nesta unidade conquistada o judeu proclama: "Ouve, ó Israel, o Eterno é nosso D’us, o Eterno é Um." Isto é também o que nossos Sábios quiseram dizer quando falaram que as palavras "E amarás o Eterno teu D’us de todo o coração" (as palavras logo em seguida ao Shemá) significam: amar a D’us com tuas duas inclinações, o yetser hará e o yetser tov.
Conclusão:
A intenção deste artigo não é fazer aspersões sobre a ciência ou desacreditar o método científico. A ciência não pode agir a menos que aceite certas teorias ou hipóteses, mesmo que não possam ser verificadas, embora algumas teorias continuem a existir mesmo quando são cientificamente refutadas ou desacreditadas. Nenhum progresso técnico seria possível, a menos que determinadas leis físicas sejam aceitas, embora não haja garantias de que a lei se repetirá. No entanto, a ciência apenas pode lidar com teorias, não com certezas. Todas as conclusões científicas ou generalizações apenas podem ser prováveis em maior ou menor grau, segundo as precauções tomadas no uso das provas disponíveis, e o grau de probabilidade necessariamente decresce com a distância dos fatos empíricos ou com o aumento das variáveis desconhecidas, etc. Tendo isso em mente, a pessoa perceberá que não pode haver um verdadeiro conflito entre qualquer teoria científica e a Torá. Pelo contrário, uma cuidadosa análise das descobertas da ciência moderna e do seu significado filosófico mostra uma convergência e harmonia da ciência com a Torá.
Muitos judeus atualmente se tornaram alienados da Torá e do estilo de vida judaico por causa do enorme, quase hipnótico, efeito de uma ciência aparentemente onipotente. Milhares justificam este secularismo pelo "fato" de que são "mais esclarecidos" que as gerações passadas. Muitos no campo religioso preferem ignorar (ou banir) a discussão do desenvolvimento da ciência e tecnologia, ou ajustar a Torá ao pensamento moderno. Na verdade, nenhuma atitude merece crédito.
A abordagem correta é que não há motivo para o judeu observante de Torá ficar intimidado pela explosão da ciência e tecnologia, ou para tomar uma atitude apologética. Ele deveria sempre ter em mente o dito do Zôhar (vol. I pág. 161b): "D’us olhou na Torá e criou o mundo." Isso significa que a Torá é o projeto da criação, e o produto final (o universo) não pode contradizer o projeto (a Torá) pela qual foi projetado.
Por definição, a Torá é a sabedoria Divina. Portanto, a Torá é a suprema e única fonte da verdade, completa e definitiva, o conhecimento sobre tudo, incluindo os objetos e os fenômenos que a ciência examina. O conhecimento da Torá brota de uma perspectiva "do Alto", ao passo que o conhecimento científico, obtido pela processamento racional de informação empírica, se origina "de baixo".
Por fim, estas fontes irão convergir. Podemos esperar ansiosamente a Era Messiânica na qual a ciência, que em si é neutra, será elevada para servir a propósitos sagrados. Um maior desenvolvimento e análise científica nos ajudará a compreender os conceitos da Torá.
A tecnologia levará o mundo a uma situação na qual, como Maimônides descreve a Era Messiânica, "não haverá fome nem guerra, inveja ou competição, pois as coisas boas fluirão em abundância e todos os deleites estarão tão disponíveis quanto o pó. A ocupação do mundo inteiro será somente conhecer a D’us."
Por Nissan Dovid Dubov
Rabino Nissan D. Dubov é diretor do centro Chabad Lubavitch em Wimbledon, UK.
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O Poder da Cura Por Rabino Ilan Stiefelman - Lubavitch Copacabana
Conta-se que certa vez três grandes sábios caminhavam pelas ruas de Jerusalém quando foram interpelados por um homem bastante abatido. "Rabinos”, disse o homem, “estou muito doente, preciso me curar.” Os rabinos confabularam e logo lhe prescreveram a ingestão de determinadas ervas. O homem, que esperava deles uma bênção espiritual como resposta, soltou uma gargalhada irônica. “Essa é boa! Não estou entendendo!” – disse ele. “Se foi D’us quem me brindou com esta doença, então vocês estão interferindo em Seu domínio, ao receitar remédios físicos. Com todo o respeito, me parece um desafio ao Criador”.
Um dos sábios apontou para a foice que o homem segurava e falou: “Percebo que você ganha a vida no campo. Saiba que assim como nada brota sem que um agricultor cuide da terra para mantê-la cultivável, assim também com relação ao corpo humano; é imperativo que o médico administre os remédios que forem necessários para manter o paciente saudável”.
A Torá é muito clara sobre essa questão: a fim de preservar uma vida não só é permitido, mas obrigatório buscar ajuda médica.
Os médicos são considerados agentes do Todo Poderoso e cada médico tem a companhia de um anjo da cura. A cura vem de D’us, por intermédio de seus agentes qualificados. E justamente por esse motivo devemos respeitar e agradecer todo e qualquer médico que dedica a vida para melhorar e salvar nossas vidas, quando necessário.
O Rebe de Lubavitch sempre recomendou aos que o procuravam com problemas de saúde: consulte um bom médico e siga as orientações dele! Ao mesmo tempo, ele sugeria também que as Mezuzot e os Tefilin fossem verificados por um Sofêr, escriba qualificado, e acrescentava para que a pessoa reforçasse sua prática judaica e principalmente sua confiança em D’us. Vemos que a formatação da bênção do Rebe contém uma mensagem subliminar de fé e esperança: ao mesmo tempo em que é concedido todo o crédito para os medicos. O Rebe nos lembra que nos bastidores está sempre presente uma força maior, a do Todo Poderoso D’us, que é quem trará a cura, através da sabedoria e avanços da ciência. A medicina e o judaísmo são parceiros.
Que todos possam ter muita saúde, e que o Todo Poderoso realize milagres visíveis para que todos aqueles que precisam de cura possam encontrá-la rapidamente. E que possamos muito em breve merecer uma nova era, onde não haverá mais nenhuma doença ou aflição.
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