SHEMA ISRAEL

Sinagoga Morumbi

Yeshiva Boys Choir -- Kol Hamispalel

sábado, 23 de março de 2013

Carvão em Brasa



D’us ordenou ao povo judeu: “Uma chama eterna deverá sempre ser mantida ardendo sobre o altar; jamais deve se extinguir.”
O fogo sobre o altar onde os sacrifícios eram oferecidos deveria sempre continuar a arder. No Templo Sagrado, havia uma câmara especial onde carvões eram mantidos sempre acesos, para que o fogo sobre o altar pudesse ser reaceso caso necessário.
Quando D’us ordenou ao povo judeu para construir o Tabernáculo, Ele disse: “E Eu habitarei dentro deles.” O versículo não deveria dizer “Eu habitarei dentro dele?” Diz “eles” para nos ensinar que todo judeu é como um Templo em miniatura. Todo judeu deve ter sempre um amor ardente por D’us em seu coração, assim como o fogo que arde o tempo todo sobre o altar.
No Talmud, nossos rabinos nos ensinam mais detalhes sobre essa mitsvá: o fogo sobre o altar devia ser mantido aceso mesmo no Shabat e mesmo quando estamos impuros. Da mesma maneira, nós judeus devemos sempre sentir um profundo amor por D’us, não importa se estamos num nível de Shabat ou num nível de impureza.
O que quer dizer “um nível de Shabat”?
No Shabat, desejamos uns aos outros Shabat Shalom. A palavra hebraica shalom vem do radical da palavra inteiro e completo (shaleim). Sentimo-nos completos no Shabat. Relaxamos e não nos preocupamos com o trabalho da semana, agindo como se estivéssemos completos.
No Shabat também nos é dada uma alma extra que nos ajuda a rezar melhor, aprender melhor e entender melhor a santidade de D’us. Porém, um judeu no nível de Shabat deveria apenas prestar atenção ao seu estudo e entendimento, e deveria ignorar seus sentimentos. Portanto, D’us o lembra da “chama eterna… até no Shabat.” O amor ardente por D’us em nosso coração jamais deve relaxar.
Então nossos Sábios acrescentam: “mesmo quando impuro”. Mesmo que um judeu esteja impuro, ele deve cavar profundamente dentro de seu coração e fazer aflorar o amor a D’us que está sempre ali.
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Por Malka Touger
O conteúdo desta página possui copyright do autor, editor e/ou Chabad.org, e é produzido por Chabad.org. Se você gostou deste artigo, autorizamos sua divulgação, desde que você concorde com nossa política de copyright.
 


D’us ordenou ao povo judeu: “Uma chama eterna deverá sempre ser mantida ardendo sobre o altar; jamais deve se extinguir.”
O fogo sobre o altar onde os sacrifícios eram oferecidos deveria sempre continuar a arder. No Templo Sagrado, havia uma câmara especial onde carvões eram mantidos sempre acesos, para que o fogo sobre o altar pudesse ser reaceso caso necessário.
Quando D’us ordenou ao povo judeu para construir o Tabernáculo, Ele disse: “E Eu habitarei dentro deles.” O versículo não deveria dizer “Eu habitarei dentro dele?” Diz “eles” para nos ensinar que todo judeu é como um Templo em miniatura. Todo judeu deve ter sempre um amor ardente por D’us em seu coração, assim como o fogo que arde o tempo todo sobre o altar.
No Talmud, nossos rabinos nos ensinam mais detalhes sobre essa mitsvá: o fogo sobre o altar devia ser mantido aceso mesmo no Shabat e mesmo quando estamos impuros. Da mesma maneira, nós judeus devemos sempre sentir um profundo amor por D’us, não importa se estamos num nível de Shabat ou num nível de impureza.
O que quer dizer “um nível de Shabat”?
No Shabat, desejamos uns aos outros Shabat Shalom. A palavra hebraica shalom vem do radical da palavra inteiro e completo (shaleim). Sentimo-nos completos no Shabat. Relaxamos e não nos preocupamos com o trabalho da semana, agindo como se estivéssemos completos.
No Shabat também nos é dada uma alma extra que nos ajuda a rezar melhor, aprender melhor e entender melhor a santidade de D’us. Porém, um judeu no nível de Shabat deveria apenas prestar atenção ao seu estudo e entendimento, e deveria ignorar seus sentimentos. Portanto, D’us o lembra da “chama eterna… até no Shabat.” O amor ardente por D’us em nosso coração jamais deve relaxar.
Então nossos Sábios acrescentam: “mesmo quando impuro”. Mesmo que um judeu esteja impuro, ele deve cavar profundamente dentro de seu coração e fazer aflorar o amor a D’us que está sempre ali.
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Por Malka Touger
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Sobre Piolhos e Homens



No Egito inteiro, o pó se transformou em piolhos. Mas quando os mágicos tentaram produzir piolhos por meio de suas artes secretas, não conseguiram. Os piolhos atacaram tanto os homens quanto os animais. Os mágicos disseram ao faraó: “este é o dedo de D'us.” Mas o coração do faraó era duro, e ele não deu ouvidos.1
Pouca atenção tem sido prestada ao uso do humor na Torá. Sua forma mais importante é o uso da sátira para zombar das pretensões dos seres humanos que pensam que podem imitar D'us. Uma coisa faz D'us rir – a visão da humanidade tentando desafiar o céu.
Os reis da terra defendem seus pontos de vista, e os governantes se reúnem contra o Eterno e Seu ungido.
“Vamos quebrar nossas correntes,” dizem eles, “e tirar os seus grilhões.” Aquele sentado no céu ri, D'us zomba deles.2
Há um maravilhoso exemplo na história da Torre de Babel. O povo no planalto de Shinar decide construir uma cidade com uma torre que “chegará aos céus”. Este é um ato de desafio contra a divinamente dada ordem da natureza (“Os céus são os céus de D'us, a terra Ele deu aos filhos dos homens.”) A Torá então diz: “Mas D'us desceu para ver a cidade e a torre…” Aqui na terra, os construtores pensaram que sua torre chegaria ao céu. Sob o ponto de vista do céu, porém, era tão minúscula que D'us teve de “descer” para vê-la.
A sátira é essencial para entender pelo menos algumas das pragas. Os egípcios adoravam uma multiplicidade de deuses, a maioria representando forças da natureza. Pelas suas “artes secretas” os mágicos acreditavam que podiam controlar essas forças. Magia é o equivalente na era do mito à tecnologia na era da ciência. Uma civilização que acredita poder manipular os deuses, da mesma forma acredita que pode exercer coerção sobre os seres humanos. Numa cultura assim, o conceito de liberdade é desconhecido.
As pragas não eram meramente para punir o faraó e seu povo por terem tratado mal os israelitas, mas também para mostrar a eles a impotência dos deuses nos quais acreditavam.3 Isso explica a primeira e a última das nove pragas antes da matança dos primogênitos. A primeira envolvia o Nilo. A nona foi a praga da escuridão. O Nilo era adorado como fonte de fertilidade numa região que sem ele seria deserta. O sol era visto como o maior dos deuses, Rá, de quem o faraó era considerado filho. A escuridão significava o eclipse do sol, mostrando que até o maior dos deuses egípcios não podia fazer nada em face do verdadeiro D'us.
O que está em jogo aqui é a diferença entre mito – no qual os deuses são meros poderes a serem domados, favorecidos ou manipulados – e o monoteísmo bíblico no qual ética (justiça, compaixão, dignidade humana) constituem o ponto de encontro entre D'us e a humanidade.
Esta é a chave das duas primeiras pragas, que se referem ao início da perseguição egípcia aos israelitas: a matança de bebês do sexo masculino ao nascerem, primeiro pelas parteiras (embora, graças ao senso moral de Puá e Shifrá, tenha parado), depois atirando-os ao Nilo para morrerem afogados. É por isto que na primeira praga as águas do rio se transformam em sangue.
O significado da segunda, sapos, teria sido imediatamente óbvia para os egípcios. Heqt, a deusa dos sapos, representava a parteira que ajudava mulheres no parto. Ambas as pragas eram mensagens codificadas que significavam: “Se você usa o rio e parteiras – ambos normalmente associados com vida – para provocar a morte, aquelas mesmas forças se voltarão contra você.” Uma mensagem muito significativa está tomando forma: a realidade tem uma estrutura ética. Se for usada para o mal, os poderes da natureza se voltarão contra o homem, para que aquilo que ele faz seja feito a ele em troca. Há justiça na história.
A reação dos egípcios a essas primeiras duas pragas é vê-los dentro da própria ideia de referência. Pragas, para eles, são formas de magia, não milagres. Para os “mágicos” do faraó, Moshê e Aharon são pessoas como eles mesmos, que praticavam “artes secretas”. Portanto eles replicaram: eles mostram que também podem transformar água em sangue, e criar uma horda de sapos. A ironia aqui está muito perto da superfície. Os mágicos egípcios queriam tanto provar que podiam fazer aquilo que Moshê e Aharon tinham feito, que fallharam completamente em perceber que longe de tornar as coisas melhores para os egípcios, eles as estavam tornando piores: mais sangue, mais sapos.
Isso nos leva à terceira praga: piolhos. Um dos objetivos dessa praga é produzir um efeito que os mágicos não conseguem replicar. Eles tentam. Falham. Imediatamente, concluem, “Este é o dedo de D'us.”
Esta é a primeira aparição na Torá de uma ideia, persistente no pensamento religioso até mesmo hoje, chamada “o deus das lacunas”. Isso afirma que um milagre é algo para o qual ainda não podemos encontrar uma explicação científica. A ciência é natural; a religião é sobrenatural. Um “ato de D'us” é algo que não podemos classificar racionalmente. Aquilo que mágicos (ou tecnocratas) não podem reproduzir deve ser o resultado de intervenção divina. Isso leva inevitavelmente à conclusão de que religião e ciência são opostas. Quanto mais podemos explicar cientificamente ou controlar tecnologicamente, menos necessidade temos de fé. À medida que o âmbito da ciência se expande, o lugar de D'us progressivamente diminui até o ponto de desaparecer.
O que a Torá está dizendo é que este é um tipo de pensamento pagão, não judaico. Os egípcios admitiam que Moshê e Aharon eram genuínos profetas quando realizaram maravilhas além do alcance de sua própria mágica. Mas não é por isso que acreditamos em Moshê e Aharon. Sobre isso, Maimônides é inequívoco:
Israel não acreditou em nosso mestre Moshê por causa dos sinais que ele realizou. Quando a fé é baseada em sinais, uma dúvida sinistra sempre permanece, de que aqueles sinais podem ter sido realizados com a ajuda de artes ocultas e feitiçaria. Todos os sinais que Moshê realizou no deserto, ele o fez porque eram necessários, não para autenticar seu status como profeta.4
Quando precisamos de comida, ele fez cair o maná. Quando o povo estava sedento, ele bateu na rocha. Quando os apoiadores de Korach negaram sua autoridade, a terra os engoliu. Assim também com todos os outros sinais. Quais, então, são as bases para acreditar nele? A revelação no Sinai, na qual vimos com os próprios olhos e ouvimos com nossos ouvidos.
A maneira básica pela qual encontramos D'us não é através de milagres, mas pela Sua palavra – a revelação, Torá – que é a constituição do povo judeu como nação sob a soberania de D'us. Com certeza, D'us está nos eventos que, aparentemente para desafiar a natureza, chamamos de milagres. Mas Ele também está na própria natureza. A ciência não desaloja D'us, mas O revela, de maneiras ainda mais intrincadas e maravilhosas, o projeto da própria natureza.
Longe de diminuir nosso senso religioso, a ciência (corretamente entendida) deve aumentá-lo, nos ensinando a ver “como são grandes as Tuas obras, ó D'us: Tu as fizeste todas com sabedoria.” Acima de tudo, D'us é encontrado na voz do Sinai, nos ensinando como construir uma sociedade que será o oposto do Egito; na qual os poucos não escravizam os muitos, nem os estrangeiros são maltratados.
O melhor argumento contra o mundo do antigo Egito foi o humor divino. Os sacerdotes e mágicos dos cultos que pensavam poder controlar o sol e o Nilo descobriram que não podiam produzir sequer um piolho. Faraós como Ramsés II demonstraram seu status semelhante ao divino criando arquitetura monumental: grandes templos, palácios e pirâmides cuja imensidão parecia ofuscar a divina grandeza (o Talmud explica que a magia egípcia não podia funcionar com coisas muito pequenas). D'us zomba deles revelando Sua presença na menor das criaturas (T. S. Elliot: “Eu te mostrarei medo num punhado de pó”).
O que os mágicos egípcios (e seus sucessores) não entenderam é que o poder sobre a natureza não é um fim em si mesmo, mas apenas os meios para fins éticos. Os piolhos foram a piada de D'us às custas dos mágicos, que acreditavam que como controlavam as forças da natureza, eram os mestres do destino humano. Estavam errados. A fé não é meramente a crença no sobrenatural. É a capacidade de ouvir o chamado do Autor do Ser, de ser livre de tal maneira a ponto de respeitar a liberdade e a dignidade dos outros.
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NOTAS
1. Shemot 8:13-15
2. Salmos 2:2-4
3. “Eu realizarei atos de julgamento contra todos os deuses do Egito; Eu sou D'us.” (Shemot 12:12)
4. Hilchot Yesodei ha-Torá 8:1.



Por Rabino Jonathan Sacks
Lord Rabino Jonathan Sacks é Rabino Chefe da Grã-Bretanha e da Comunidade Britânica, além de famoso escritor e palestrante sobre Chassidismo. É fundador e diretor do Meaningful Life Center (Centro para uma Vida Significativa).

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Mazal tov, Rebe! Um Legado de Luz e Inspiração


Certa vez, um mestre chassídico mandou seus alunos descerem para expulsar a escuridão do porão.
“Mas como faremos isso?” perguntaram eles.
“Desçam com bastões e batam na escuridão até ela ir embora” – disse-lhes o Rebe.
Obviamente, nada aconteceu. Outra vez os alunos obedientes consultaram o Rebe sobre como fazê-lo. Ele os orientou para varrer a escuridão, porém não conseguiram. E assim, voltaram ao Rebe.dessa vez o Rebe lhes disse: “Desçam ao porão e acendam uma vela pequena.”
Os chassidim voltaram ao porão e acenderam uma vela. E imediatamente o porão escuro ficou repleto de luz – pois um pouco de luz afasta até a escuridão mais espessa.
Em 11 de Nissan celebraremos o aniversário do Rebe. A atitude do Rebe é exemplificada pela história acima; sua opinião é a supremacia de viver com uma perspectiva positiva – trazer mais luz, júbilo e bem para o mundo.
O Rebe, como líder da nossa geração, ensinava pelo exemplo. Ele acendia velas. Ele continua acendendo e cuidando da “vela de D’us que é a alma do homem” em cada um de nós de maneira positiva e amorosa. E assim fazendo, ele permite a todos que acendam sua própria vela para ajudar a dispensar as trevas.
Neste marco importante do nascimento do Rebe, devemos parar e refletir sobre a atitude do Rebe. Porém somente a reflexão não é suficiente. Pois o Rebe nos ensinou: “o principal é a ação.” O mais importante é que nossos pensamentos e sentimentos se traduzam em ações.
Acenda uma vela hoje, fazendo um ato positivo, sendo bom, sendo alegre, cumprindo mais uma mitsvá, e ampliando a educação judaica. Faça isso para dispersar a escuridão à sua volta. Faça por si mesmo. Faça isso como presente de aniversário do Rebe, faça isso para apressar a Redenção!
A todos um Pêssach Casher VeSameach!
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A Consciência da Liberdade

Por que os filhos se rebelam?


Depois de uma série de pragas que devastaram o país e subjugaram seu rei, o faraó finalmente se rende. Após torturar impiedosamente, abusar e assassinar os hebreus durante décadas, eles são libertados. No dia 15 do mês hebraico de Nissan, o povo judeu, enfim, vive um êxodo em massa de um regime genocida e uma monarquia tirânica. Eles embarcaram no caminho da liberdade.
Mais de três milênios se passaram desde aquele dia. É muito tempo. Porém, os filhos e netos dos escravos que partiram do Egito ainda comemoram esse evento anualmente. Até hoje, Pêssach continua sendo a festa judaica mais largamente observada e celebrada. Muitos judeus que se consideram afastados da tradição e religião ainda se sentem compelidos a participar em alguma celebração do Seder de Pêssach.
A importância disto não pode ser exagerada. É fácil celebrar o milagre da liberdade quando você é livre, Porém, na maior parte da história a nação judaica se viu exilada, oprimida, dominada – física, emocional e religiosamente – por tiranos e ditadores de todos os tipos.
Se Pêssach representa a jornada da escravidão para a liberdade, o que aconteceu com ela depois da destruição babilônica do Primeiro Templo e o subsequente exílio de Israel?
O que aconteceu com ela depois da conquista pelos gregos e então pelos romanos da terra judaica e o exílio de seus habitantes? O que houve com a celebração da liberdade após a destruição do Segundo Templo, da falha da rebelião de Bar Kochba, as horríveis perseguições de Adriano e da longa e trágica série de eventos que levaram ao maior exílio na história judaica? Os judeus podiam celebrar a emancipação sob circunstâncias opressivas? Eles ainda poderiam se sentar anualmente e declarar com sinceridade: “Fomos escravos do faraó no Egito e D'us nos libertou?”
Esta questão foi levantada por um dos maiores pensadores judeus do Século 16, que ele próprio esteve sujeito a horríveis perseguições por parte de autoridades cristãs. Rabi Yehuda Loew (1512-1607), conhecido como o Maharal de Praga, era Rabino Chefe da cidade, e uma das personalidades judaicas mais influentes de seu tempo, autor de muitas obras importantes sobre pensamento judaico. Durante sua época, os judeus sofreram terrivelmente com os infames libelos de sangue, sendo acusados de matar crianças cristãs antes de Pêssach a fim de usar seu sangue para a matsá de Pêssach, e diz a lenda que Tabi Loew criou um Golem, um homem criado por meio de poderes cabalísticos para combater os libelos de sangue afligindo a comunidade judaica de Praga.
O Maharal de Praga se perguntava como o povo judeu poderia ter celebrado sua liberdade do Egito durante tempos em que estavam sendo atirados às trevas do exílio e perseguição? Poderia um judeu palestino no Século 2 realmente celebrar Pêssach? E um judeu iemenita do Século 8? Um judeu espanhol no Século 14? Um judeu polonês no Século 17? Um judeu alemão em 1938? Ou um judeu russo na década de 1960?
Porém, eles celebraram. Durante 3.300 anos, a cada vez que Pêssach chegava, uma nação teimosa estava determinada a reviver a liberdade. Sob os olhos vigilantes da Inquisição, no Arquipélago Gulag de Stalin, até no Gueto de Varsóvia, você podia ouvir a mesma pergunta sendo feita todo ano: “Por que esta noite é diferente de todas as outras?” E a resposta : “Porque nesta noite fomos libertados!”
Como eles conseguiam fazer isso?

O Novo Homem

A resposta apresentada pelo Maharal de Praga é profunda e comovente. O Êxodo do Egito, sugere ele, não foi meramente um evento político e geográfico, no qual trabalhadores escravos tiveram permissão de deixar um país e construir o próprio destino. Foi também uma mutação, na qual o presente da liberdade foi “conectado” à própria psique de um povo. Com a Divina libertação do cativeiro egípcio, um novo tipo de pessoa foi criado – o Homem Livre: o individuo que nunca fará as pazes com a opressão e que para sempre ansiará pela liberdade. O Êxodo implantou dentro da alma do judeu uma repulsa inata pela subjugação e a busca inerente pela liberdade.
Então, todo o drama que levou ao Êxodo do Egito, ao diálogo com o faraó, os milagres realizados por Moshê e Aharon, o rei se tornando mais obstinado, as dez pragas sem paralelos que subjugaram o Egito, e finalmente a refinada cerimônia do Seder realizada enquanto os judeus ainda estavam no Egito. Numa era em que opressão era a norma, quando acreditava-se que os reis tinham poder divino e interminável, e o ser humano comum estava à mercê de líderes caprichosos, o Êxodo egípcio foi para revolucionar a paisagem da imaginação humana para toda a eternidade. Os judeus iriam descobrir – e seriam responsáveis por partilhar essa descoberta com toda a humanidade – que a principal responsabilidade de toda sociedade é preservar a liberdade e dignidade de todo ser humano sob a soberania de um D'us livre que desejava libertar os seres humanos.
Assim, mesmo se subsequentemente conquistado e oprimido, rotulado para abuso, caçado como animais, o judeu jamais cessaria de ver a si mesmo como um homem livre. Ele nunca concordaria emocionalmente com a perseguição, e jamais chegaria a termos com a realidade da supressão. Ele nunca deixaria de ver a escravidão e o exílio como suprema aberração da realidade e a maior distorção da sociedade humana, Seu próprio ser iria clamar em protesto contra a tirania e a crueldade, e ele ficaria para sempre obcecado com a crença de que o futuro deve ser diferente, que a redenção ainda vai chegar e que uma sociedade na qual o mal e a corrupcão predominam não pode durar.
Isto, declara o Maharal, é o que judeus celebravam todo ano em seus Sedarim de Pêssach, apesar das difíceis circunstâncias. Eles não estavam vivendo numa terra de sonhos. Sabiam muito bem que estavam exilados, porém, agradeciam a D'us pelo Êxodo antigo, porque implantou neles para sempre a consciência da liberdade, o anseio por ela, e a convicção de que é o direito inato de todo e cada um deles. Se – como disse brilhantemente o Baal Shem Tov – “Você está onde sua vontade está”, isso significa que você é essencialmente livre. Se anseia por liberdade, você na realidade é livre.

Um Presente Divino

Os mestres chassídicos levaram essa ideia um pouco mais além. Para alguns pensadores religiosos a busca do homem pela liberdade é sintomática de seu anseio por autoindulgência frívola e emancipação do jugo da responsabilidade. Porém, no Chassidismo, nossa busca pela liberdade é uma das nossas qualidades mais divinas, entranhada em nós por causa da consciência divina embebida no espírito humano. O homem anseia por refletir a D'us. Assim como D'us é totalmente livre, o homem criado à Sua imagem anseia por ser totalmente divino, então totalmente livre. É essa Divindade inerente num ser humano que nos impele ao desafio constante e a transcender os limites impostos sobre nós, incluindo até os da nossa própria natureza.

Por que eles se rebelam?

A ideia do Maharal de que o Êxodo egípcio fez com que a liberdade fosse “implantada” na psique judaica contém profundas ramificações no campo da educação contemporânea.
Como a liberdade é uma propriedade intrínseca da alma humana, uma manifestação de sua natureza Divina, devemos ser extremamente cautelosos para encorajar, e não ser ameaçados, pela sua expressão completa e intensa.
Se isso é verdadeiro sobre cada pessoa, muito mais então com crianças e adolescentes, que têm um profundo anseio pela liberdade, para a expressão individual, pela liberdade de fazer as próprias escolhas e de construírem a própria existência. Isso não é pecado; é uma qualidade nobre que pode ser realizada para produzir as maiores bênçãos. Se suprimirmos sua liberdade, ou seu anseio pela liberdade, isso pode obrigá-los a expressá-la de maneiras indesejáveis.
Então, por exemplo, quando pais e educadores impõem sobre os filhos e alunos valores e tradições por meio somente de autoridade e coerção, muitos desses jovens ao chegar na vida adulta poderiam rejeitar esses valores. Isso não é por desdém pelos valores em si, tanto quanto é sua maneira de provarem a si mesmos e ao seu ambiente que são realmente livres.
Educação, obviamente, exige autoridade e disciplina. Crianças que podem fazer tudo que quiserem, com frequência terminam tendo vidas infelizes, sem estabilidade, direção e segurança.
A longo prazo, as crianças são infelizes quando lhes é dado poder demais. Por outro lado, quando valores morais e religiosos são passados aos jovens apenas em nome da autoridade, e não com uma voz de compaixão, quando a fé é sobre o dogma e não sobre profundidade, quando a paixão é completamente substituída pela obrigação, o amor pelo hábito, a voz da alma suplantada pelo fardo da tradição, os valores que consideramos tanto podem ser percebidos como instrumentos de opressão aos olhos de nossos filhos.
Em sua desesperada necessidade de liberdade, às vezes não lhes damos opções exceto dizer adeus a tudo aquilo que tentamos lhes ensinar.
Um delicado equilíbrio entre anarquia e supressão deve ser mantido. Os jovens devem ser ensinados por que os valores tradicionais, morais e religiosos de seus pais e avós são meios de auto-realização, autodescoberta – e a suprema liberdade. E eles devem ter sábias oportunidades de vivenciar a alegria de ter a liberdade de escolher aquilo que constitui o caminho para uma vida digna e profunda; a liberdade de escolher a liberdade.
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Por Yosef Y. Jacobson
Rabino Yosef Y. Jacobson é editor de Algemeiner.com, um site de notícias e comentários judaicos em inglês e yidish. Rabino Jacobson  também faz palestras sobre ensinamentos chassídicos, sendo muito popular e bastante procurado. É autor da série de fitas “Um Conto Sobre Duas Almas”.

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Um ano após o êxodo do Egito, o povo judeu fez a oferenda de Pêssach no décimo quarto dia do mês de


Nissan. Mas nem todos puderam realizá-la. A escritura relata (Bamidbar 9:6): "Havia alguns homens que estavam ritualmente impuros (pelo contato com mortos) e incapazes de preparar a oferenda de Pêssach naquele dia. Aqueles disseram: 'Por que deveríamos ser privados de fazer a oferenda do Senhor no seu tempo marcado entre os filhos de Israel?' Moshê respondeu: 'Aguardem, e eu ouvirei o que o Senhor ordenará a respeito de vós'. D'us falou a Moshê: 'Se qualquer pessoa de vós ou de vossas gerações futuras estiver ritualmente impura ou numa jornada distante, ainda assim fará a oferenda de Pêssach ao Senhor. Deverá efetuá-la no décimo quarto dia do segundo mês'..."

É dada uma nova oportunidade áquele que não ofereceu o sacrifício de Pêssach no tempo certo - 14 de Nissan - para fazê-lo no dia 14 de Iyar, data denominada de Pêssach Sheni, o Pêssach do segundo mês, no qual costuma-se, hoje em dia, comer um pedaço de matsá.

Embora o Pêssach Sheni fosse instituído para aqueles que não podiam ofertar o sacrifício de Pêssach no seu tempo certo, porque estavam impuros ou encontravam-se em locais distantes, o seu conceito se aplica a todos em todos os tempos - mesmo agora, quando o sacrifício de Pêssach não pode ser ofertado.

Uma lição clara de Pêssach Sheni é que a pessoa nunca deve perder a esperança. Nas palavras do Rebe anterior: "A idéia de Pêssach Sheni é de que 'nada é irrecuperável'; sempre podemos retificar nosso comportamento. Mesmo alguém que estava ritualmente impuro ou ausente numa jornada distante - mesmo que voluntariamente - pode reabilitar-se."

Um ser humano é intrinsecamente bom; sua alma é uma parte da centelha Divina. O pecado é uma antítese completa da sua natureza. Se ele chega a transgredir, isto é uma anomalia que não pode tocar o seu "eu" essencial. A pessoa pode estar temporariamente impuro, mas sua essência, é dos níveis mais elevados. Assim, nenhum pecado, nenhuma omissão do serviço a D'us, é irreversível. A pessoa pode sempre voltar à sua identidade real.

Pêssach é a única festividade que concede uma segunda chance, e isto porque Pêssach marca o nascimento da nação judia. O êxodo do Egito foi o início de um processo que culminou com a Outorga da Torá - a transformação dos judeus numa nação da Torá. Já que a oferenda de Pêssach está ligada com o êxodo, sua omissão significaria que o êxodo não foi completo. D'us por isto quis que cada um, mesmo aquele que deliberadamente não ofertou o sacrifício de Pêssach da primeira vez, ganhasse a oportunidade de fazê-lo - pois se não há nascimento, não há existência. A identidade da Torá estaria ausente.



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Enviado: Apr 2, 2012
Festas Judaicas
É do meu interesse sempre receber informativos sobre realizações de Festas Judaicas e seus Princípios Litúrgicos a serem respeitados...
Meus Agradecimentos...
Shalom...
Enviado por Barô Don Rama, Guarujá, SP/Brasil